Não era esse o texto que eu pretendia escrever… mas talvez seja o que eu precisava.
Deixa eu te contar de onde essa ideia surgiu.
Desde que lancei o blog, coloquei como meta publicar dois posts por semana. Mas, como sabemos, merdas acontecem. E pra ser bem franca: desde o dia em que comecei a pivotar minha vida profissional, quase nada saiu como eu imaginava. Ainda estou pegando a mão da coisa.
Semana passada, por exemplo, o site quebrou. Isso colocou a criação em pausa. E aí me vi presa numa lógica: como não escrevi na semana anterior, agora eu “precisava” compensar publicando três textos nesta.
Acontece que, depois de terminar um post denso como o último (você pode ler ele aqui), eu preciso de algo mais leve. Porque um texto profundo me exige tanto que, quando termino, me sinto drenada.
Curiosamente, mesmo tendo uma lista enorme de ideias anotadas desde o ano passado, nada ali me empolgava. Nada parecia combinar com o que eu estava sentindo. Foi quando a voz do julgamento bateu: “Charlotte, isso aqui é trabalho. E trabalho não pode depender da sua vontade.”
Mas e se… e se eu escrevesse sobre isso mesmo — sobre esse momento exato em que estou? Foi aí que encontrei ânimo para escrever algo genuíno e não só para cumprir o cronograma, o que prometi a mim mesma que sempre faria e estou cumprindo!
Os Baixos
Esse ano tem sido uma montanha-russa. Essa história de ter um blog bilíngue já me trouxe alegrias, frustrações e aprendizados que valeram por um ano inteiro em apenas quatro meses.
É engraçado… não importa o quanto você se ache preparada, a vida sempre dá um jeito de te coagir a soltar os pés daquele caminho que parecia certo.
É como nadar contra a correnteza de um rio que conhece melhor o caminho que você. E aqui estou: aprendendo a ir com o fluxo. E sinceramente? Não acho que tenho me saído tão mal assim.
Estou naquela fase estranha: o limbo entre deixar de ser e começar a se tornar. Mas se tornar o quê? Excelente pergunta.
O mais divertido é quando alguém me pergunta o que eu sou ou o que eu faço. Dou aquele sorriso de canto e respondo o que combina com meu humor na hora: blogueirinha? escritora? artista? fotógrafa? autônoma? influenciadora? uma crente iludida? dona de casa?
A verdade é que estou tão curiosa para descobrir onde isso tudo vai dar quanto estaria ao abrir uma carta de amor sem remetente. Aliás, estou terminando de ler um livro que fala muito sobre isso: “The Surrender Experiment”, de Michael Alan Singer.
Uma coisa que tem me incomodado ultimamente é minha saúde. Não é nada grave, mas estar acostumada a uma rotina ativa e ter que parar de repente tem seu peso. Estou com uma lesão nas costas por conta de um movimento errado na academia, e não sei por quanto tempo vou precisar desacelerar.
Isso também tem a ver com minha higiene do sono. Sou bem indisciplinada pra dormir — cada noite é um horário diferente, esperando milagrosamente acordar bem no dia seguinte. Já melhorei bastante, mas ainda há espaço pra evoluir.
No momento, estou atravessando aquela curva descendente do meu ciclo — um período de menor energia, mais introspectivo, em que tudo parece pedir silêncio e gentileza comigo mesma. E não reclamo: o inverno está chegando e é ideal para isso.
Os Altos
Apesar disso tudo, eu amo sentar no computador para escrever. Passar o dia processando ideias e aprendendo coisas novas tem sido uma alegria imensa. Não canso de repetir para quem está perto: já estou vivendo meu sonho.
A flexibilidade de trabalhar em casa é um bônus delicioso. Ter meu próprio espaço e fazer as coisas no meu tempo, sem dar satisfação para ninguém, é libertador — especialmente depois de nove anos de escritório.
Segunda-feira? Não existe mais! A única razão pela qual sei o dia da semana é por causa dos compromissos com outras pessoas. O Daniel veio me lembrar que na próxima semana é feriado, e minha reação foi: “feriado de quê?” — estou mesmo indo com o fluxo.
Nunca pensei que fosse gostar tanto disso tudo. Está sendo muito mais prazeroso do que eu imaginava.
Outra coisa que voltou: minha vontade de sair e tirar fotos com a câmera. Meu fluxo criativo voltou depois de um tempo adormecido. Parte disso foi trocar minha câmera por uma mais leve. Antes, o peso da Canon me desanimava.
Ano passado, troquei minha Canon por uma mirrorless Fujifilm, super levinha. Agora dá pra levar na bolsa, e estou começando a pegar o jeito dela. Até apelidei ela de Poppy Pixel!
Minha meditação tem sido boa também. Tirando a dor nas costas para ficar sentada de pernas cruzadas, ela me ajuda bastante! Quero aprofundar mais a minha prática nos próximos meses.

A Lição
A minha maior lição essa temporada é soltar as rédeas, não resistir às circunstâncias e me deixar ser surpreendida com o que a vida tem guardado para mim. Lição essa que quero levar para o resto da minha e essa temporada é perfeita para isso. E você? Qual é a maior lição da sua vida no momento?
Do meu coração para o seu,
Cha