Na semana passada, me deparei com um modelo que explicou muito bem o momento exato que estou vivendo: o ciclo emocional da mudança, criado por Don Kelley e Daryl Conner em 1979.
Esse modelo descreve as fases emocionais da mudança voluntária. Aplicando esse modelo à minha vida, fica mais ou menos assim:

De fevereiro até setembro, eu não sabia, mas estava no otimismo desinformado. No final de setembro, ou talvez em algum momento de outubro, entrou em cena o pessimismo informado. Foi quando percebi como as coisas eram mais complexas, o trabalho que eu teria que colocar, as coisas que eu precisava aprender e as habilidades que eu ainda precisava desenvolver. A vida também começou a ficar mais corrida fora do blog, então meu foco se perdeu e, aos poucos, fui perdendo o ritmo.
A questão é: criar uma vida profissional criativa do zero não foi tão fácil quanto eu imaginava. No entanto, fico feliz por ter começado sem saber disso, porque provavelmente eu nem teria começado! Então ser ingênua e simplesmente colocar meu coração em algo desconhecido foi suficiente para iniciar a jornada.
E então, em novembro, eu entrei no vale do desespero. A resistência aumentou, o bloqueio criativo ficou mais real do que dor de dente, a procrastinação ficou ridiculamente paralisante, meu querido perfeccionismo me travou de novo, a autoconfiança caiu em doses altas e eu estava me afogando em tarefas sem saber por onde começar. Basicamente, eu esticava as horas para fazer a menor coisa.
Mas calma, não se engane — eu continuo amando tudo isso! Só preciso atravessar essa fase.
Foi aí que encontrei esse modelo que deu nome ao meu momento, e isso me fez pensar: se o que eu estava fazendo antes deixou de funcionar para mim, o que devo fazer agora para continuar?
Eu me lembrei do trabalho da neurocientista Anne-Laure Le Cunff, que descobri este ano. Ela tem um livro chamado Tiny Experiments, que apresenta uma estrutura para substituir metas rígidas e lineares por uma abordagem flexível e guiada pela curiosidade — encarando a vida como uma série de experimentos pequenos e de baixo risco. E desde setembro faço parte da comunidade dela, chamada Ness Labs.
As pessoas lá compartilham todo tipo de experimentos que estão tentando em suas vidas, o que é fascinante, mas até agora eu não tinha sentido vontade de criar o meu próprio, já que o que eu estava fazendo ainda parecia funcionar.
Isso, claro, mudou…
Pensando na minha pergunta acima, percebi que… esse era o meu momento de tentar meu primeiro tiny experiment para recuperar meu momentum.
Então meu tiny experiment será escrever todos os dias por 21 dias consecutivos aqui no blog, começando em 11 de dezembro e indo até 31 de dezembro. Serão posts leves e curtos com uma foto que tiro no dia.
Simples.
Bem… simples, mas não fácil — não para mim. E por alguns motivos.
Primeiro: fazer isso nos últimos dias de dezembro, a época mais corrida do ano, é… difícil. Meu foco está em tudo, menos sentar para escrever. Meu pai chega em menos de duas semanas, então isso coloca uma cereja no bolo.
Segundo: matar o perfeccionismo. Sou péssima nisso, definitivamente não me orgulho. Quero ir fundo demais, pesquisar demais, pensar demais antes de publicar, me sinto estranha demais, me filtro demais… muito de “demais”! E isso piora porque meu crescimento interno está à frente da minha capacidade de articulá-lo, então percebi que a única maneira de alcançar esse ritmo é praticando.
Isso me lembrou desta tabela:

Ela mostra que até os maiores artistas da história criaram milhares de obras, e apenas uma pequena fração se tornou famosa. Prova de que a maestria vem da quantidade, não da espera pela perfeição.
Terceiro: eu duvido muito de mim antes de apertar “publicar”. Isso não vai mudar tão cedo. Ser criativa significa, por natureza, se expressar — e com isso vem exposição e, consequentemente, elogios e julgamentos, e consequentemente aprender a soltar o meu autojulgamento. É isso. Sem atalhos. Esse tiny experiment é perfeito para trabalhar isso.
Quarto: estou aprendendo a aparecer mesmo quando estou sem inspiração, e especialmente quando meus sentimentos me puxam para longe do que eu sei que preciso fazer. Esse tiny experiment vai reforçar esse aprendizado.
Quinto: compartilhar minhas intenções com você aumenta minha responsabilidade e me dá motivação extra para não deixar a peteca cair. Sinta-se à vontade para me ver caminhando por esse vale.
Happy days!
