Minha história com estresse e ansiedade é longa, mas a insônia tem sido um desafio relativamente recente na minha vida. Passei os três primeiros meses de 2025 no Brasil e, durante esse período, tive dificuldades para adormecer e continuar dormindo. A gente só passa a valorizar de verdade o sono quando o perde — chega a dar um desespero, não conseguir ter uma noite de descanso adequada. Você começa a se tornar a versão mais miserável de si mesmo.
Foi aí que a Sara, uma acupunturista que estava me atendendo enquanto eu estava lá, me falou sobre o chá de Mulungu — e um mundo totalmente novo se abriu para mim por meio desse incrível sedativo natural.

Eu senti os efeitos por mim mesma. Chás de camomila e melissa nunca fizeram muito efeito em mim, então fiquei curiosa para ver como esse se sairia. E fiquei impressionada. Não demorou muito para eu sentir os efeitos calmantes. Não é à toa que esse chá é considerado o “rivotril da natureza.” Vou ser direta: é bom demaaaais.
O mulungu é uma árvore brasileira, também conhecida como Erythrina mulungu ou árvore-coral. A parte mais utilizada é a casca, embora as raízes e flores também sejam conhecidas por suas propriedades calmantes.
O mulungu tem sido usado na medicina popular brasileira e em práticas indígenas há séculos. Seu uso mais comum é como sedativo natural, auxiliar do sono, redutor da ansiedade, analgésico leve e tônico para o sistema nervoso. Também é, por vezes, utilizado em contextos espirituais ou ritualísticos por seus efeitos calmantes e introspectivos.
Pesquisas preliminares e o conhecimento tradicional sugerem os seguintes benefícios do mulungu:
- Acalma o sistema nervoso
Tradicionalmente usado para insônia, ansiedade, estresse e agitação nervosa.
Pode ajudar em casos de traumas emocionais e inquietação. - Relaxante muscular
Pode ajudar a aliviar tensões ou espasmos musculares. - Analgésico leve
Algumas pessoas usam para dores de cabeça ou dores corporais em geral. - Anti-inflamatório e antioxidante
Contém flavonoides e alcaloides com potenciais efeitos antioxidantes. - Apoia a saúde do fígado (anecdótico)
Alguns usos tradicionais sugerem que pode auxiliar na desintoxicação.
Entre seus principais fitoquímicos ativos estão a eritravina e a hipaforina (alcaloides com efeito sedativo), flavonoides e triterpenos. Acredita-se que esses compostos atuem nos receptores de GABA no cérebro — de forma muito semelhante a como funcionam alguns medicamentos ansiolíticos.
Como é uma erva, você a encontrará em lojas de produtos naturais ou em farmácias online, especialmente aquelas que vendem ervas sul-americanas — pessoalmente, eu não compraria na Amazon ou sites similares. Sempre compre de fontes confiáveis para garantir a sustentabilidade e a pureza do produto.

Como preparar o chá de mulungu?
Como é uma casca, o preparo ideal é por decocção:
- Meça cerca de 1 a 2 colheres de chá de casca seca de mulungu por xícara de água.
- Ferva a casca em água (não apenas infusione) por cerca de 15 a 20 minutos.
- Coe e beba.
O melhor horário para tomar é antes de dormir, devido aos seus efeitos sedativos, mas você também pode tomar à noite para desacelerar, ou em períodos de alta ansiedade, estresse ou sobrecarga emocional.
O sabor é amargo, bem terroso. Me lembra um pouco tabaco (mesmo que eu não fume!) — muitas pessoas misturam com outras ervas calmantes (como camomila ou lavanda) ou adicionam mel. Eu fiquei satisfeita com o chá puro. Acho que meu foco estava mais nos efeitos do que no sabor, estava feliz em beber algo tão promissor.
Porém, alguns cuidados são necessários:
Em algumas pessoas, os efeitos sedativos podem ser intensos — por isso, evite dirigir ou operar máquinas após o consumo.
Pode interagir com medicamentos, especialmente:
- Antidepressivos
- Benzodiazepínicos
- Outros sedativos ou indutores do sono
Não é recomendado para:
- Pessoas grávidas ou amamentando
- Uso diário contínuo (sem pausas)
Doses elevadas podem causar:
- Sonolência
- Pressão arterial baixa
- Batimentos cardíacos lentos (em casos raros)

Lembre-se de que cada pessoa pode reagir de maneira diferente. Mesmo que não tenha me proporcionado um sono profundo na época, ainda assim me deixou sonolenta e muito calma — o que já ajudou bastante, já que eu estava desenvolvendo uma ansiedade em relação a não conseguir dormir. Eu estava, aos poucos, criando um estigma mental em torno da hora de dormir. Felizmente, a Sara me falou sobre o mulungu, e isso me ajudou a passar por esse momento.
E você? Quero muito saber da sua experiência com o chá de mulungu. Já tomou? Já conhecia? Ou vai experimentar?
Até a próxima 😉
Uma resposta
Assim que eu não estiver mais amamentando vou experimenta-lo. Lido muito com a falta de sono 🙁