Duas semanas atrás fui eu para uma sessão de fotografia com uma amiga numa praia selvagem no frio, no vento e muito cedo. Acordei as s quatro e meia. Foi uma vontade repentina de fazer algo criativo. Um pouco antes de chegarmos pegamos chuva na estrada daí minha amiga olhou pra mim e falou surpresa que a chuva não estava prevista na previsão do tempo. Eu disse que não importava, que ia ser na chuva mesmo. A vontade de sair foi tamanha que não tinha nada que poderia mudar meus planos.



Não planejei muita coisa antes de ir. Sabia que ia estar ventando como sempre está, mas tinha uma vaga ideia do que queria como, por exemplo, brincar com um lenço no vento, mas não muito além disso. Isso porque queria ver a luz proporcionada pelo nascer do sol naquela manhã para então determinar o como o ensaio seria. Foi tudo improvisado. O nascer do sol foi bem tímido, estava bastante nublado, e perfeito para captar aquele sentimento.







Quando estou sozinha eu me solto, eu sou inteira, eu me jogo, eu me liberto e eu sinto. Não há vergonha, julgamentos, críticas ou expectativas. Se fosse eu a algum tempo atrás indo com uma pessoa para essa sessão de fotos eu provavelmente me travaria um pouco. Dessa vez não foi assim. Eu estava tão inspirada e determinada que a mera presença da minha amiga não me intimidou. Nem o frio e o vento me incomodou.


Eu fiquei bem contente com o resultado das fotos, ficou acima das minhas expectativas. Estava esperando sair com no máximo três boas fotos e terminei com 19 fotos editadas de um total de 100 mais ou menos. Acho que consegui captar a emoção de estar começando um novo ciclo. De voltar a me expressar e me conhecer sem intenções e expectações. Hoje eu entendo. É aí onde mora minha liberdade de ser. A morada da minha essência.



No fim das contas eu tenho me transformado no meu velho jeito de ser. Reencontrando minhas origens e voltando aos poucos pra minha casa que abandonei por um tempo. Não sou de ficar no passado, pelo menos no passado que consigo lembrar, mas se uma palavra pudesse descrever todo o meu ser seria ‘nostalgia’. Sinto uma constante nostalgia de não sei o que. Será algo que vivi tão perfeito que nunca poderá ser vivido novamente?

Talvez não há palavras para descrever precisamente esse sentimento, talvez um dia elas cheguem, mas não por agora. Por agora eu deixo meu reflexo na camera. E escrevo o pouco que sei.
Com amor,
Cha