Os quatro nobres caminhos são erudição, absorção, Bodhisattiva e Buda. São estados de vida que dependem do nosso esforço para serem manifestados. Ou melhor, é através das nossas boas ações que alcançamos esses estados de espíritos. Para alcançarmos mais esses estados é necessário propósito, disposição e determinação de nossa parte, pois, enquanto nos outros seis estados estamos à mercê dos acontecimentos do dia a dia e do ambiente em que vivemos, os outros quatro estados são manifestados somente quando interagimos com o ambiente agindo com mais intento.
Assim, os quatro nobres caminhos elucidam:
7. Estado de Erudição
A busca por conhecimento, a troca de ideias, abertura para o diálogo, a vontade de desenvolver-se, estar aberto ao aprendizado, ser aprendiz de precursores são algumas das intenções ligadas ao estado de erudição. Por outro lado, o excesso dessa vontade pode vir a se tornar arrogância para com os menos intelectualmente capazes ou um distanciamento com a vida diária e tendência para o individualismo.
8. Estado de Absorção
Nesse estado de vida a pessoa tem uma percepção apurada para os acontecimentos da vida, o uso da sua intuição se torna mais frequente, observa o mundo da sua maneira, aprende com os fenômenos da natureza, maior autoconfiança, obtém sabedoria através da própria observação e compreende verdades por si só. Em contrapartida, similar ao estado de erudição a pessoa pode ficar intensamente alienada a esse propósito e se tornar egoísta ao ponto de ser a única a se beneficiar de seus insights.
Os estados de erudição e absorção são estados conhecidos como “os dois veículos”, pois são canais para os outros dois elevados estados de vida (Boddhisattiva e Buda), uma vez que, por meio deles a pessoa cria uma certa independência alcançando a verdade parcial, contudo, nesse estágio suas percepções são usadas somente para o benefício de si mesma.
9. Estado de Bodhisattiva
O estado de Boddhisattiva significa tirar o sofrimento para dar felicidade por meio de ações altruísticas e benevolentes, dedicando sua vida a levar felicidade na vida de outras pessoas sem, contudo, esperar nada em troca. O que não pode ser confundido com a caridade e compaixão, pois ambos ajudam a aliviar o sofrimento, mas não tem o intuito de sucumbi-lo ou trazer felicidade. Sob outra perspectiva, o Bodhisattiva pode esquecer do amor a si próprio em prol de levar felicidade a outras almas.
10. Estado de Buda
O estado de Buda, por sua vez, é estado de iluminação em que se pode compreender o verdadeiro âmago da vida, profunda sabedoria da verdade fundamental, percepção da autêntica realidade, estado de felicidade plena e incondicional. Estado este que não é atingido por nenhum carma negativo. E uma das formas de se alcançar esse estado de vida, segundo o Budismo de Nitiren Daishonin, é recitando o mantra Nam Myoho Rengue Kyo (Lei fundamental do Universo).
É importante lembrar que os estados não são permanentes, portanto, o estado de Buda não é um fim em si só, ou seja, não é um objetivo a ser alcançado ao fim da vida. A vida diária é como uma montanha-russa, estamos a todo momento indo de um estado a outro quer gostemos disso ou não.
Frisando mais uma vez, os dez estados de vida são condições inerentes aos seres humanos e nada mais somos do que almas aprisionadas num corpo experimentando a vida humana, por isso cometemos tantos erros e sentimos tantas emoções e sentimentos. Temos um potencial inesgotável dentro de nós tanto para o bem como para o mal, somos alunos da vida e estamos aqui para aprender e compreender todos os dias da nossa existência.
Contudo, não estamos simplesmente sujeitos somente aos dez estados, o que faz irmos de um estado ao outro é o esclarecimento do princípio da possessão mútua. Tal princípio ensina que os dez estados se coexistem, em outras palavras, cada estado de vida possui os outros nove latente nele. Logo, é desta forma que os estados se interrelacionam e se mostram dinâmicos. O que ocorre é a manifestação notória de um estado enquanto os outros nove estão na condição não manifestada.
A relevância desse princípio está no fato de que mesmo uma pessoa que esteja passando por circunstâncias árduas possui dentro de si as condições perfeitas de que ela precisa para tranformar a situação e manifestar um estado mais elevado. Ademais o estado de Buda permite criar, eventualmente, benefício a todos que nos cercam por intermédio de nossas ações em qualquer estado que estejamos.
A título de exemplo, uma mulher que acaba de ter um bebê se encontra em estados elevados, pois se deleita com o filho recém-nascido que fez parte dela por nove meses, mas, ao mesmo tempo, ela pode se encontrar em estado de animalidade, uma vez que, precisa cuidar e proteger seu filho. Outros exemplos são artistas que sofreram de depressão e criaram artes inigualáveis, pessoas que vivem em zona de guerra e ainda enxergam a beleza da vida ou pessoas que passaram muitos anos na prisão e serviram de inspiração para muitas outras.
Esses são alguns extremos exemplos de como o princípio dos dez estados de vida e o princípio da possessão mútua funcionam juntos. A compreensão desses princípios nos faz ter outra percepção diante dos percalços diários e mais que isso, sabemos que há um meio de transformar as causas negativas feitas no passado e fazer escolhas mais conscientes para o futuro. Saber, sobretudo, que apesar de sermos seres humanos e estarmos sujeitos a estados de vida que não nos agradam ou nos mantém iludidos, só dentro de nós há a ferramenta que conduz à felicidade absoluta, portanto, é dizer que somos livres para escolhermos o nosso melhor destino.
“O destino conduz o que consente e arrasta o que resiste.” – Sêneca
Gratidão!
Com todo carinho,
Cha ❣
Respostas de 2
Acho que seus blogs estao se tornando minhas leituras matinais diarias rsrs (quase diarias) Como sempre, interessante! Voce e budista?
Vlw Mi!! Eu gostaria de escrever todos os dias, mas por enquanto só post semanal. Muito feliz por vc estar gostando. Eu sou budista, mas sou aberta a outras filosofias também. =)