Uma coisa em que não pensei muito ao começar essa jornada de trabalho autônomo foi em como esse caminho pode ser solitário. Ao entrar no meu terceiro mês trabalhando de casa, comecei a sentir os efeitos de estar sozinha dia após dia. Então, comecei a buscar ativamente oportunidades de networking, inspiração, mentores e apoio de outras pessoas.
Estou atenta a cada pequeno sinal de informação — e as redes sociais têm sido uma grande aliada nisso. Foi assim que acabei me inscrevendo no evento online da Forbes Power Women’s Summit realizado em Nova York. Não parei para pensar no que esperar; assim que vi nos stories da Sara Blakely, alguém que admiro profundamente, me inscrevi na hora.
E sou grata por ter feito isso.
O evento trouxe muitas histórias inspiradoras e, para dizer o mínimo, um raio de esperança na humanidade. Aquelas mulheres — CEOs, fundadoras, jornalistas, autoras, atrizes e tantas outras — tinham algo em comum: a vontade de fazer as coisas de um jeito diferente. Eu só conseguia imaginar como seria maravilhoso estar em uma sala junto daquelas mulheres. Isso acendeu em mim uma chama que me fez sentir parte de uma comunidade global de boas transformações.
Ironicamente, um dia antes desse evento eu estava trabalhando em um PDF sobre o qual não tinha certeza. O evento foi a confirmação de que estou no caminho certo. Ouvir aquelas mulheres também confirmou o quanto a liderança feminina é diferente da masculina. A diferença não está apenas no estilo, mas também no que é valorizado — relacionamentos, intuição, generosidade. E isso é fascinante.
Anotei algumas observações do evento (mesmo não sendo uma boa anotadora!) e percebi que as palavras mais repetidas foram: amor, liderança, resiliência, intuição, confiança, alavancagem, aprendizado, perdão, esperança, compartilhar, poder, criatividade, inovação, mudança, conexão, confiança, crescimento, vulnerabilidade, alinhamento e autenticidade. O que mais me chamou a atenção é que não são apenas palavras de negócios, são palavras de vida. São aquilo que todos nós queremos sentir também em nossas vidas pessoais. Isso mostra como a liderança nos negócios e a vida pessoal não estão separadas quando uma mulher está no comando.
Por isso é impressionante ver como essas mulheres, ocupando cargos em espaços predominantemente masculinos, lideraram com profundo respeito por seu poder feminino. Cada conselho e inspiração estava, de forma autêntica, ligado à sensibilidade do que significa ser mulher. Muitas delas mostraram novas formas de fazer negócios e prosperar em um mundo ainda majoritariamente conduzido por homens.
Como destacou Sara Blakely: as mulheres estão mais presentes nos negócios há apenas uns 30 anos. Pense nisso por um segundo. É apenas uma geração. Se tanta coisa já mudou nesse tempo, fico imaginando como será a próxima geração se essa energia continuar crescendo. Na verdade, elas também falaram sobre algumas das injustiças que as mulheres ainda sofrem em muitos países — como o abuso financeiro presente em 99% dos casos de violência doméstica e a sub-representação das mulheres nos esportes, em especial na Fórmula 1, o que achei muito interessante.
Outro detalhe que adorei ver naquelas mulheres foi a cor e a alegria que elas trouxeram para o que poderia ter sido um evento tradicional em preto, cinza, branco e talvez azul! Nós, mulheres, transformamos tudo em algo a ser celebrado. Cyndi Lauper está certíssima quando diz: ‘Girls Just Want to Have Fun’. Isso não poderia ser mais verdade — nós realmente sabemos como tornar tudo divertido.
Também ficou muito claro para mim que o poder da liderança feminina reside na generosidade, na curiosidade de experimentar coisas novas e na esperança pelo bem maior da humanidade. Elas transformam sua sensibilidade intuitiva em um poder cheio de graça.
Algumas das frases que marcaram o evento foram:
“O amor vai além de qualquer medida.”
“Pensamentos se tornam coisas.”
“A vida é como uma onda.”
“Não aceite o status quo.”
“A resiliência é um músculo que podemos construir.”
“Seja como um caranguejo eremita. Cresça no espaço.”
“As mulheres mudam o mundo de forma coletiva.”
“Seja o unicórnio em vez do uniforme. Verdade acima da tendência. Cultura acima do conforto.”
“Poder é estar a serviço.”
“Dirija como se tivesse roubado.”
“Não peça permissão.”
A frase ‘as mulheres mudam o mundo de forma coletiva’ me fez pensar em como isso é diferente do modelo individualista de liderança, do ‘herói’, que tantas vezes domina. A abordagem coletiva parece mais leve e duradoura.
Outra ideia amplamente compartilhada durante o evento foi a de que o destino é uma ilusão. Nunca haverá um momento em que você alcançará completa paz e harmonia e sentirá que terminou. Algumas compartilharam histórias de como a vida as mantém em movimento, como se houvesse uma força maior puxando-as para fora da zona de conforto ao acender ideias — e de como, muitas vezes, não cabe a elas escolher se vão se acomodar ou não; é o próprio caminho que as escolhe e exige ser trilhado.
E, por fim, um grande tema foi sobre as habilidades que o futuro irá exigir, quando a IA deixar de ser opcional e passar a estar totalmente integrada à sociedade — assim como os celulares estão hoje: pensamento crítico, liderança empática, escuta ativa, consciência cultural, criatividade, resolução de conflitos, entre outras. Ao mesmo tempo, reconheceram que, se essas tecnologias forem implementadas de maneira apressada ou descuidada, podem ampliar a desigualdade social.
Tudo isso me levou a um trecho do livro 2030: How Today’s Biggest Trends will Collide and Reshape the Future of Everything, escrito por Mauro F. Guillén, que ficou gravado em mim:
‘O novo status conquistado a duras penas pelas mulheres na sociedade pode potencialmente levar a uma transformação da estrutura de poder e, talvez, a menos escândalos, menos corrupção e diminuição da violência, como várias pesquisas têm demonstrado. Ou pode produzir uma divisão acentuada, em que apenas um segmento das mulheres desfrute dos benefícios enquanto o restante é empurrado para as margens, resultando em mais conflito social em vez de menos. Independentemente de sua influência em posições gerenciais ou governamentais, no entanto, as mulheres controlarão mais riqueza e talvez a direcionem para áreas que lhes dizem respeito, incluindo educação e saúde, em um mundo com menos bebês e populações envelhecidas.’ – p. 122–123.
E talvez seja esse o ponto: todas essas virtudes que as mulheres incorporam — amor, intuição, conexão, vulnerabilidade — não são uma distração, são a estratégia. Em um mundo onde o desespero e a divisão muitas vezes são mais altos, e às vezes até incentivados, essas mulheres lembraram que esse conjunto de valores não é apenas uma forma poderosa de liderança, mas também uma fonte de resultados e inovações extraordinárias.
O evento me deixou profundamente inspirada e motivada. Posso escolher levar comigo os valores que vi naquele palco para os meus próprios projetos e conexões. Hoje, só isso já parece uma maneira significativa de contribuir para a mudança coletiva.
Com amor,

Uma resposta
Very inspiring!