No último fim de semana fui a um festival de yoga em Napier. Foi a segunda vez que participei, e me diverti muito. Adoro passar tempo com a minha turma do yoga — a gente ri até não aguentar mais.
A primeira aula que fiz foi de power yoga — uma das mais populares do festival. A sala estava lotada, tinha cerca de 60 pessoas. A professora começou admitindo o quanto estava nervosa, já que não esperava tanta gente. Até aí, tudo bem. Mas conforme a aula foi rolando, a respiração acelerada dela ecoava no microfone. Era impossível esconder o nervosismo. Ela começou a inventar sequências meio bagunçadas, até esquecer algumas. De repente, as pessoas começaram a olhar para o relógio. Algumas até desistiram e ficaram só sentadas.
Você já sentiu vergonha pelos outros? Foi exatamente o que eu senti — e tenho certeza que não fui a única. Podia muito bem ter sido eu lá em cima, tentando dar aquela aula. Me coloquei no lugar dela. E o mais louco é como a energia dela vazou para o ambiente inteiro.
Esses momentos da vida são um verdadeiro fiasco — ou melhor dizendo: um shit show que a gente gostaria de apagar da memória, mas em vez disso ficamos ruminando até restarem só as cinzas do nosso cérebro queimado.
Espero que a professora de yoga não tenha queimado o dela.
A vergonha é universal — quem nunca sentiu? Existem diferentes níveis: aquelas mais leves, que parecem só um constrangimento e passam rápido; as pesadas, enraizadas em quem somos ou até na nossa herança cultural. E há o nível intermediário, aquele tipo de vergonha que gruda pra sempre — como a que aconteceu com a professora de yoga.
E eu não sou diferente. Consigo me lembrar de uma cena minha como se fosse ontem.
Todo mundo lembra da época da Covid. Naquele tempo, fui ao protesto em Wellington — que na prática era mais um acampamento do que um protesto. Tinha de tudo ali, gente de todos os tipos. A diferença entre protestar na Nova Zelândia e no Brasil é gritante. No Brasil, deixar as emoções extravasarem é quase esperado. Já na Nova Zelândia, pelo contrário, as pessoas parecem mais organizadas, objetivas e diretas em suas pautas políticas — como se fosse uma versão “arrumadinha” de protesto, digamos assim. Uma coisa que eu não tinha refletido até então…
E lá estavam grandes blocos de concreto separando o público da polícia. Minha emoção foi crescendo, até que subi num dos blocos e comecei a gritar para a polícia. Mas gritar de verdade — do fundo dos pulmões! Sozinha! Como se estivesse protestando no Brasil…
Ninguém me acompanhou.

Na verdade, o oposto aconteceu: todo mundo olhou pra mim como quem pensa “coitada, perdeu o controle”. E quando digo todo mundo, falo dos próprios manifestantes. A polícia, claro, não mexeu nem a sobrancelha diante da minha birra. E a cereja do bolo? Um casal Hare Krishna passou, olhou pra cima e disse algo do tipo: “Aqui a gente não grita, este é um protesto pacífico.”
Aquele momento. 🥴
Quis desaparecer no chão. Só de escrever já sinto meu estômago revirar.
Daniel estava lá embaixo, olhando pra mim com a cara de: que diabos deu em você? Eu desci quieta e continuei andando como se nada tivesse acontecido. Mas por dentro eu estava em chamas — o estômago torcido, o rosto pegando fogo e o cérebro dando cambalhotas num verdadeiro circo da vergonha.
Por quê? Mas por quêêê?!
Não sei. Algumas vergonhas ensinam algo — como estar mais preparado para uma aula de yoga. Mas mesmo assim, às vezes você pode estar muito preparado e ainda assim ficar nervoso e fora de compasso na primeira vez. E depois existem vergonhas como a minha… que simplesmente não precisavam ter acontecido!
E você? Já sentiu o estômago embrulhar por causa de um momento vergonhoso e constrangedor? Conta aí — vou adorar rir junto…
Sua sincera mestre da vergonha,

Respostas de 2
Cha eu não acredito que isso aconteceu com você 🫠🫠🫠🫠
Eu teria morrido de vergonha também
Sim Lari! 🫠😂 Mais um para a lista!