Bem-vindo(a) ao dia 13 do meu experimento: Atravessando o Vale do Desespero.
Existe um abismo entre o que eu entendo, o que eu quero dizer, o que eu de fato digo – e aquilo que você quer ouvir, como você escuta e o que você entende.
Por isso, escutar alguém para compreender a mensagem, e não apenas para responder, é uma habilidade profundamente subestimada. Mais do que isso: é um superpoder que pouquíssimas pessoas desenvolvem.
Ele é um superpoder porque exige ir contra três impulsos humanos muito básicos.
1. A defesa do ego
Para escutar de verdade, é preciso retirar o foco de si e direcioná-lo ao que a outra pessoa está tentando proteger, justificar ou pedir – muitas vezes sem ter plena consciência disso.
2. A pressa por controle.
Conversas raramente são sobre o conteúdo literal do que está sendo dito. Na maioria das vezes, elas giram em torno de status, pertencimento, medo e controle. Quem escuta apenas para responder entra nesse jogo automaticamente.
3. A necessidade de validação.
Quando escutamos para entender, passamos a perceber contradições sutis, palavras emocionalmente carregadas, exageros, desvios, pausas e silêncios. Ou seja, abrimos espaço para captar o que está nas entrelinhas.
Conseguir regular esses três impulsos transforma profundamente a forma como alguém se relaciona com o mundo. A maioria das pessoas se preocupa em se comunicar bem, mas o verdadeiro segredo da comunicação está em dominar a escuta atenta a tal ponto que a fala se torna clara, precisa e eficaz como consequência.
Hoje, essa é a habilidade que eu mais admiro em alguém. Que a vida me traga mais pessoas assim para eu aprender a escutar melhor também.
Até amanhã,
